O Pirelli Cyber Tyre reduziu em 5,7 metros a distância de frenagem em pista molhada, a partir de 110 km/h. Na prática, o carro aproveitou melhor a aderência disponível, um ganho que pode ajudar a evitar colisões em situações de emergência.
A tecnologia instala um sensor Bluetooth em cada pneu e envia informações aos sistemas eletrônicos do veículo. Hoje, equipa modelos de alto desempenho; a parceria com a Bosch pretende levar o recurso a pneus de diferentes marcas.
Pirelli Cyber Tyre: como o sensor dentro do pneu funciona
O Pirelli Cyber Tyre mede pressão, temperatura, desgaste e tipo de pneu. Um receptor em cada eixo encaminha os dados ao computador de bordo, que usa um algoritmo desenvolvido com a Bosch para ajustar ABS, controle de estabilidade e tração.
O sensor pesa cerca de 12 gramas, funciona por aproximadamente cinco anos e suporta forças de até 3.000 vezes a gravidade. Seu tamanho equivale a três moedas de 25 centavos empilhadas, segundo as especificações divulgadas para o sistema.
- Pressão e temperatura: ajudam os controles do veículo a considerar as condições atuais do pneu.
- Desgaste e tipo de pneu: informam ao sistema qual composto está em uso e como pode responder à pista.
- Integração eletrônica: os dados orientam ABS, estabilidade e tração, em vez de depender apenas de calibrações médias.
Esse último ponto é central: pneus diferentes podem oferecer níveis distintos de aderência. Um ajuste genérico pode levar os controles a reagir com cautela; o sensor permite calcular o limite disponível com mais precisão.
Frenagem no molhado: o que os 5,7 metros representam
Na comparação, o mesmo carro usou pneus de inverno e freou de 110 km/h até parar, com o Cyber Tyre ligado e desligado. Com o sistema ativo, o veículo identificou a aderência e chegou ao limite de frenagem sem precisar “tateá-lo” gradualmente.
| Condição do teste | Resultado observado |
|---|---|
| Cyber Tyre desligado | Distância de frenagem maior; o controle não recebia os dados específicos do pneu. |
| Cyber Tyre ligado | Parada 5,7 metros antes na frenagem em piso molhado. |
São quase seis metros, mais do que o comprimento de uma picape média. Em uma via brasileira, essa diferença pode separar uma parada segura de uma colisão, embora o resultado dependa do carro, dos pneus e das condições da pista.
Observação prática: o teste divulgado não informa a distância total de parada nem compara pneus de marcas diferentes. Portanto, os 5,7 metros representam a diferença entre o sistema ligado e desligado naquela configuração, não uma garantia para qualquer veículo.
Aquaplanagem e o limite do que o teste comprova
Em outro ensaio, com aproximadamente 0,7 centímetro de água, o carro seguiu reto quando o motorista virou o volante com o sistema desligado. Com o Cyber Tyre ativo, os freios traseiros ajudaram a apontar o veículo na direção desejada.
O comportamento mostra como o sistema pode complementar os comandos do motorista quando os pneus perdem contato adequado com o asfalto. Ainda assim, sensores não anulam os riscos de velocidade excessiva, pneus gastos ou manobras bruscas sobre água acumulada.
A frenagem em piso molhado também tem relevância para quem compra pneus no Brasil: esse desempenho faz parte da avaliação de aderência da etiqueta do Inmetro, obrigatória nos pneus vendidos no país. A tecnologia, porém, não substitui a escolha correta nem a manutenção dos pneus.
De hipercarros a modelos mais acessíveis
O sistema estreou no Pagani Utopia, de 864 cv, e também chegou a modelos da Aston Martin e da McLaren. Há ainda relatos de aplicação em veículos da BMW. O uso atual, portanto, está concentrado em carros de alto desempenho.
A Bosch deve trabalhar para ampliar a compatibilidade com pneus de qualquer marca. Esse caminho pode reduzir a dependência de aplicações exclusivas, mas ainda faltam informações sobre preço, disponibilidade no Brasil e quais veículos receberão o recurso.
Observação de mercado: a tecnologia não é um pneu específico nem um item com preço anunciado ao consumidor. A adoção depende da integração entre sensor, receptores e sistemas eletrônicos do carro, então a promessa de chegar a modelos mais baratos ainda precisa virar oferta comercial.
Por enquanto, o Cyber Tyre demonstra um ganho mensurável em uma frenagem molhada e uma resposta mais controlada no teste de aquaplanagem. Para o motorista brasileiro, a novidade só terá impacto amplo quando houver preço, compatibilidade e disponibilidade definidos.
