Nissan estuda montar carros em CKD e SKD no Brasil; Kicks e Kait ficam em Resende

A alternativa pode acelerar a chegada de novos modelos, mas o efeito sobre fornecedores locais e preços dependerá do nível de nacionalização.

Nissan estuda montar carros em CKD e SKD no Brasil; Kicks e Kait ficam em Resende

Nova geração do Nissan X-Trail e-Power


A Nissan discute montar veículos no Brasil com kits importados CKD ou SKD, enquanto mantém Kicks e Kait na fábrica de Resende, no Rio de Janeiro. A possibilidade surge após a marca reconhecer que o avanço dos híbridos e elétricos no país foi mais rápido do que previa.

Ricardo Gondo, presidente da Nissan há cerca de dois meses, não anunciou modelo, prazo ou investimento para essa operação. A decisão importa para você porque montagem local pode ampliar a oferta, mas não garante, por si só, carros mais baratos ou mais peças nacionais.

Produção CKD e SKD da Nissan ainda está em estudo

A Nissan avalia produzir a partir de kits CKD, enviados completamente desmontados, ou SKD, com componentes parcialmente montados. Gondo confirmou que a discussão ocorre internamente, sem indicar quando a empresa decidirá ou quais veículos entrariam no plano.

Nissan estuda montar carros em CKD e SKD no Brasil

Foto: Nissan/Divulgação

O executivo comparou o crescimento da produção brasileira de veículos leves: a alta chegou a 9,7% até setembro de 2026, mas seria de apenas 2% sem a contribuição de operações CKD e SKD. A projeção mencionada para o ano completo era de expansão de 7,6%.

Indicador de produçãoVariação informada
Veículos leves até setembro de 2026+9,7%
Estimativa para o ano completo+7,6%
Estimativa sem CKD e SKD+2%

Os números mostram por que a montagem de kits ganhou peso nas estatísticas. Também pedem cautela: crescimento de produção não equivale automaticamente a mais conteúdo fabricado no Brasil.

O efeito dos kits importados chega aos fornecedores

Montar um carro no país pode gerar atividade industrial, mas o volume de compras de peças brasileiras depende de cada projeto. Quando a maior parte dos componentes vem pronta do exterior, fabricantes locais participam menos da cadeia e capturam uma parcela menor do investimento.

  • Para a indústria: a expansão pode elevar a produção registrada, mesmo com participação limitada de fornecedores brasileiros.
  • Para o comprador: a montagem local não garante redução de preço; câmbio, impostos e escala também pesam na conta.
  • Para as autopeças: o benefício cresce quando as encomendas migram para fabricantes instalados no país.

Esse é o ponto que separa a estratégia da Nissan dos planos de localização anunciados por BYD e GWM. As duas marcas chinesas sinalizam produção nacional mais ampla a partir de 2027, mas o ritmo de compras locais ainda será decisivo. A preparação da BYD para produzir em Camaçari ilustra a disputa por uma presença industrial mais profunda.

Gondo também reconheceu que a Nissan não acompanhou no ritmo esperado o crescimento do mercado de modelos híbridos e elétricos. Assim, CKD e SKD podem funcionar como caminhos para ampliar a oferta sem esperar uma fábrica completa para cada produto. O formato, porém, não informa sozinho quanto será produzido localmente.

X-Trail e-Power chega antes de uma decisão sobre CKD

O próximo lançamento confirmado da marca é importado: o Nissan X-Trail e-Power está previsto para o primeiro trimestre de 2027. O SUV combina dois motores elétricos, com 216 cv e 33,7 kgfm, e um motor turbo 1.5 a gasolina que gera energia para a bateria de 1,85 kWh.

Na prática, o sistema dispensa recarga externa: o motorista abastece com gasolina, enquanto a tração fica a cargo dos motores elétricos. A Nissan prevê tração nas quatro rodas. Diferentemente de um híbrido plug-in, o X-Trail não exige tomada para seguir viagem.

O modelo chega importado e não confirma uma futura montagem nacional. Para quem acompanha a marca, o Kicks produzido no Brasil segue como uma referência local, enquanto a empresa estuda como responder à procura crescente por eletrificados.

O que falta para a Nissan transformar estudo em produção

A empresa ainda precisa definir modelo, cronograma, volume e proporção de peças nacionais. Esses dados dirão se CKD ou SKD será uma solução de curto prazo para ampliar a gama ou parte de uma operação industrial mais integrada.

Nissan estuda montar carros em CKD e SKD no Brasil

Foto: Nissan/Divulgação

Por enquanto, Kicks e Kait permanecem em Resende, e o X-Trail e-Power tem lançamento previsto como importado. O próximo sinal concreto será a Nissan detalhar quais produtos pretende montar e quanto dessa produção envolverá fornecedores brasileiros.


Mais novidades:

Deixe seu comentário