CFMOTO cai no Reclame Aqui enquanto emplaca mais de 1,8 mil motos

Falhas no Pix e nas reservas elevaram queixas, embora dados de setembro indiquem avanço consistente das entregas.

CFMOTO cai no Reclame Aqui enquanto emplaca mais de 1,8 mil motos

Foto: Divulgação


A CFMOTO perdeu reputação no Reclame Aqui justamente quando começou a vender motos no Brasil, mas segue avançando nas ruas: foram 1.883 emplacamentos até setembro. Para quem tenta comprar uma das unidades, porém, falhas nas reservas e no pagamento via Pix continuam sendo um obstáculo.

A nota da marca passou de 7,2 para 6,7 no recorte mais recente, e o status mudou de “Bom” para “Regular”. Ao mesmo tempo, os registros da Fenabrave indicam que a maior parte das motos oferecidas nos primeiros lotes já chegou aos compradores.

A avaliação caiu, mas melhorou em relação ao pior período

No primeiro semestre de 2026, quando a operação da empresa no país ainda era concentrada em quadriciclos e UTVs, o Reclame Aqui registrou 66 reclamações. A nota era 7,2, com 75% dos casos resolvidos e o mesmo percentual de consumidores disposto a voltar a fazer negócio.

CFMOTO Ibex 700 aparece em imagem oficial dedicada à motocicleta

Foto: Divulgação

Já entre 9 de abril e 9 de outubro, foram 128 reclamações. A marca respondeu a 89,1% delas, resolveu 62,2% e manteve em 62,2% a parcela de clientes que afirma que compraria novamente.

PeríodoNotaReclamaçõesCasos resolvidos
Primeiro semestre de 20267,26675%
Março a agosto6,0Não informado51,7%
9 de abril a 9 de outubro6,712862,2%

O recorte mais recente representa uma recuperação em relação ao período de março a agosto, quando a nota havia chegado a 6,0. Na ocasião, 51,7% das reclamações foram resolvidas e 55,2% dos consumidores disseram que voltariam a comprar da marca.

A mudança de avaliação acompanha a expansão da operação de motos, iniciada em maio. O volume de queixas também cresceu, embora os indicadores mais recentes mostrem melhora na solução dos casos diante do recorte anterior.

Reservas e pagamento via Pix concentram parte das queixas

Entre os problemas mais citados na plataforma estão baixa qualidade, atraso na entrega, danos ao veículo e cancelamento de compra. As reclamações se dividem entre dificuldades para reservar uma moto e questões de atendimento ou pós-venda.

CFMOTO

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O sistema de reservas funciona pelo site e exige pagamento via Pix. Em julho, uma cliente relatou que a moto aparecia disponível, mas a reserva desaparecia quando deveria ser gerado o QR Code. Em seguida, a unidade passava a constar como esgotada.

A falha reapareceu no quinto lote, aberto em 5 de outubro após ser adiado. Um consumidor de Londrina disse ter recebido a confirmação da pré-reserva por e-mail, mas não conseguiu pagar e depois foi informado de que o prazo havia expirado.

A explicação da empresa para esse caso foi o alto volume de acessos simultâneos. No adiamento do lote, a fabricante havia atribuído o problema a uma falha no banco de dados. A diferença entre as justificativas aumenta a cobrança por estabilidade e comunicação mais clara com os clientes.

Em resposta aos questionamentos, a CFMOTO afirmou que a procura pelas motos superou a oferta disponível. Segundo a empresa, cada lote de 500 a 600 unidades recebe cerca de 7 mil a 9 mil acessos simultâneos, e muitos consumidores não conseguem concluir a compra.

A fabricante também declarou que procura responder às dúvidas e analisar individualmente os relatos de instabilidade até a solução. A alta procura ajuda a explicar a disputa pelas unidades, mas não elimina o impacto de uma reserva confirmada que não pode ser paga.

Falhas de atendimento aparecem junto com relatos de proprietários

As reclamações não se limitam à etapa de compra. Com o aumento das entregas, também surgiram relatos de proprietários de motos com problemas mecânicos, de atendimento em concessionárias ou de documentação.

Moto CFMOTO Ibex 450 aparece exposta em estúdio de divulgação

Foto: CFMOTO/Divulgação

Em 7 e 8 de outubro, consumidores relataram uma Ibex 450 nova com vazamento de óleo, dificuldade para conseguir a troca de óleo em uma loja e outra unidade entregue com luz da injeção acesa, marcha lenta irregular e parafusos dos protetores de mão soltos. Nesse último caso, uma pendência documental também impedia o emplacamento.

Há ainda registros de clientes que não conseguiram ativar a garantia por erro no cadastro do chassi. Donos de UTVs, segmento pelo qual a marca já era conhecida no Brasil, também relatam pendências, como a espera por uma peça do para-brisa coberta pela garantia.

Esses casos não permitem medir a frequência de defeitos em toda a frota, mas mostram a variedade de pontos que a operação precisa atender. A capacidade de acompanhar cada veículo após a venda será especialmente importante enquanto a rede e o volume de motos crescem.

Emplacamentos mostram que boa parte das motos já chegou às ruas

Os números de emplacamento dão outro ângulo à expansão. Nos três primeiros lotes, foram ofertadas pouco mais de 1.700 motos. O quarto lote, aberto em 31 de agosto, disponibilizou 500 unidades, reservadas em três minutos.

CFMOTO

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Somados, os quatro lotes tiveram cerca de 2.200 motos oferecidas até setembro. No mesmo período, a Fenabrave contabilizou 1.883 emplacamentos da marca, volume superior a 80% do total aproximado disponibilizado.

A comparação é indicativa, não uma confirmação de que todas as reservas foram entregues. Os números exatos dos lotes não foram divulgados, e parte das vendas de agosto ainda poderia estar em processo de entrega. Além disso, o atraso aparece entre as queixas recorrentes dos consumidores.

A Ibex 450 foi o principal modelo da marca até agosto, com 1.091 dos 1.403 emplacamentos acumulados naquele momento. Em agosto, ficou entre as maxitrails mais vendidas do país. Em setembro, registrou 284 unidades, queda de 22,8% em relação ao mês anterior, enquanto os demais modelos ajudaram a compensar a redução.

A chegada de novos nomes ao segmento também amplia a disputa pela atenção de quem busca uma moto de média cilindrada. A Yamaha R7, prevista para novembro, é um exemplo de lançamento que deve movimentar o mercado nos próximos meses.

O desafio agora é acompanhar o crescimento da operação

No Brasil, as motos CFMOTO são comercializadas pelo Grupo Unique, de Piracicaba, que já trabalhava com os produtos off-road da marca. A montagem ocorre em Manaus, no sistema CKD, enquanto a empresa afirma que o grupo se reporta diretamente à CFMOTO China.

A operação estreou em um mercado maior do que o de quadriciclos e UTVs, com uma linha de motos ainda nova para muitos consumidores brasileiros. A rápida implantação da montagem e o investimento em peças foram apontados como aspectos favoráveis, mas a experiência de compra e o suporte após a entrega seguem sob observação.

A marca diz enxergar a procura elevada como estímulo e afirma trabalhar para tornar a operação mais fluida. Para o consumidor, o próximo sinal concreto de avanço será ver as reservas funcionando sem interrupções e os relatos de atendimento e pós-venda diminuírem.

Os emplacamentos mostram que a CFMOTO já conseguiu colocar muitas motos nas ruas; a reputação, agora, dependerá de transformar essa procura em uma experiência de compra e suporte mais previsível.


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