Fernando de Noronha lidera carros elétricos por habitante, mas depende de termelétrica

A ilha tem 78 elétricos para 3.364 moradores; uma usina solar de 22 MW está prevista para 2027, com baterias de 49 MWh.

Fernando de Noronha lidera carros elétricos por habitante, mas depende de termelétrica

Foto: Renault/Divulgação


Fernando de Noronha tem a maior proporção de carros 100% elétricos por habitante no Brasil: são 78 veículos para 3.364 moradores. A recarga, porém, depende principalmente de uma termelétrica que queima combustível.

O arquipélago registra 2.319 elétricos por 100 mil habitantes, cerca de 15 vezes a média nacional, de 156. A diferença expõe um limite prático da eletrificação: o impacto ambiental dos carros também depende de como a energia é gerada.

Fernando de Noronha lidera carros elétricos por habitante

Fernando de Noronha ocupa o primeiro lugar no ranking proporcional, com 78 carros emplacados entre janeiro de 2022 e setembro de 2026. O cálculo considera o endereço dos proprietários e cruza os registros de veículos com a estimativa populacional do IBGE.

O distrito pernambucano fica a 545 km do Recife. Como a população é pequena, cada veículo tem efeito expressivo no índice. Em Pinhal, no Rio Grande do Sul, por exemplo, cada novo carro acrescenta cerca de 33 pontos por 100 mil habitantes.

PosiçãoLocalidadeElétricos por 100 mil habitantesUnidades
1ºFernando de Noronha (PE)2.31978
2ºEusébio (CE)1.070895
3ºBrasília (DF)1.03831.228
4ºLauro de Freitas (BA)8321.839
5ºSantana de Parnaíba (SP)7681.268
6ºSão Jorge do Patrocínio (PR)75951
7ºBalneário Camboriú (SC)6971.077
8ºCuritiba (PR)66412.162
9ºPinhal (RS)65820
10ºCabedelo (PB)649463

A termelétrica Tubarão abastece a maior parte da ilha

A usina Tubarão tem capacidade de 10 MW e é a principal fonte de eletricidade de Noronha. As usinas solares Noronha I e Noronha II, inauguradas em 2017 e 2018, somam 950 kW e respondiam por aproximadamente 10% do consumo local em 2024.

Usina Tubarão fornece a maior parte da eletricidade de Fernando de Noronha

Foto: Divulgação

Na prática, a maior parte da energia usada para recarregar os carros vem de uma usina térmica a combustível. Isso reduz o benefício climático associado à condução elétrica, embora os veículos não emitam gases pelo escapamento durante o uso.

Uma nova usina solar, anunciada para 2027, deve contar com mais de 30 mil painéis, capacidade de 22 MW e baterias de 49 MWh. O investimento previsto pela Neoenergia é de R$ 350 milhões. O armazenamento pode ajudar a fornecer energia quando a geração solar cair, mas a mudança ainda depende da entrada do projeto em operação.

Proibição de carros a combustão foi adiada para 2029

A lei estadual sancionada em janeiro de 2020 previa barrar a entrada de carros a gasolina, etanol ou diesel a partir de agosto de 2022 e retirar os que já circulavam até 2030. O prazo de entrada foi adiado três vezes e agora está previsto para agosto de 2029.

O programa Noronha Carbono Zero tem como objetivo reduzir as emissões da ilha, onde grande parte do território integra um parque nacional marinho. A medida mira especialmente os bugues alugados por turistas, mas a falta de pontos de recarga e de oferta de veículos, além da fragilidade da economia local, pesou nos adiamentos.

Para facilitar a compra, moradores receberam licenças para trazer carros elétricos sem a troca por um veículo já registrado na ilha. Também houve isenção de IPVA e auxílio no frete marítimo, que custa cerca de R$ 10 mil.

O ranking também revela diferenças de renda e de frota

Em cidades como Eusébio, Lauro de Freitas e Santana de Parnaíba, a proximidade de capitais e a presença de condomínios com garagens facilitam a instalação de carregadores. Brasília também combina renda elevada com isenção de IPVA para elétricos e híbridos.

BYD Dolphin Mini integra frota elétrica do consórcio Coripa no Paraná

Foto: BYD/Divulgação

Já São Jorge do Patrocínio entrou no grupo dos dez primeiros com veículos destinados a prefeituras. Os emplacamentos de 13 BYD Dolphin Mini em 2025 e 38 Geely EX2 em 2026 coincidem com entregas da Itaipu ao consórcio Coripa, que reúne municípios da região.

A desigualdade de acesso aparece no restante do país: 1.059 municípios não registraram nenhum carro eletrificado entre 2022 e setembro de 2026. O total inclui híbridos, mas exclui híbridos leves; 2.133 cidades não tiveram nenhum elétrico a bateria.

Para acompanhar como os modelos elétricos avançam no mercado brasileiro, veja também a categoria de carros elétricos.

Na prática, a eletrificação depende também da rede elétrica

Noronha mostra que a quantidade de carros elétricos por habitante não basta para medir o avanço da mobilidade de baixa emissão. A fonte de energia, os carregadores disponíveis e o custo de levar veículos até a ilha também influenciam o resultado.

Com a usina solar prevista para 2027, a ilha poderá reduzir a dependência da geração térmica, desde que o projeto seja concluído e opere conforme planejado. Até lá, a frota elétrica convive com uma matriz ainda majoritariamente movida a combustível.


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