A ordem executiva assinada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para liberar o uso de diesel com corante vermelho nas rodovias até 31 de dezembro gerou um intenso debate no setor de transportes. A medida foi pensada para conter a forte alta nos preços dos combustíveis, mas esbarra em barreiras regulatórias e operacionais.
Conhecido popularmente pela coloração intensa, o combustível é originalmente destinado a máquinas agrícolas, equipamentos de construção e geradores fora de estrada. A grande vantagem desse insumo é a isenção do imposto federal de US$ 0,244 por galão, o que representa uma economia potencial estimada pela Casa Branca em mais de US$ 100 por abastecimento.
Os riscos operacionais e a cautela dos postos
Apesar da flexibilização anunciada pelo governo federal, associações de revendedores orientaram postos e distribuidores a agirem com cautela. As regras definitivas sobre quem terá direito ao benefício fiscal ainda não foram totalmente detalhadas, criando um cenário de incerteza jurídica para o comércio varejista de combustíveis.
Outro ponto crítico levantado por especialistas do mercado automotivo é a oferta restrita. A maioria dos postos rodoviários não comercializa o diesel vermelho em suas bombas convencionais, pois o produto é distribuído majoritariamente por atacadistas e cooperativas voltadas ao campo. Analistas apontam que a ordem executiva não adiciona um único litro novo de combustível ao mercado norte-americano.
Leis estaduais e a fiscalização nas rodovias
O principal entrave para os caminhoneiros reside na autonomia dos estados. Até o momento, apenas um grupo restrito de cinco estados adotou a liberação para tráfego rodoviário. Caminhões que cruzam fronteiras estaduais continuam sob o risco de pesadas multas caso os fiscais detectem vestígios do corante nos tanques.
A Receita americana e órgãos estaduais utilizam o corante justamente para coibir fraudes fiscais em blitze e postos de pesagem. O corante é altamente persistente e pode deixar resíduos prolongados em tanques e filtros, gerando preocupações técnicas mesmo após o encerramento da medida emergencial em dezembro, tema que movimenta debates semelhantes aos discutidos no setor de motos e veículos pesados.
Enquanto o governo federal tenta oferecer um fôlego financeiro diante da disparada dos preços internacionais do petróleo, motoristas e postos avaliam se o alívio prometido compensa os riscos operacionais e regulatórios vigentes nas estradas do país.
