Marcas chinesas avançam nas trocas e pressionam Jeep, VW, Hyundai e Chevrolet

Estimativa para o terceiro trimestre aponta 23.993 trocas potenciais ligadas à Jeep; Tiggo 7 liderou a rentabilidade dos seminovos em setembro.

Marcas chinesas avançam nas trocas e pressionam Jeep, VW, Hyundai e Chevrolet

Foto: Jeep/Divulgação


As marcas chinesas atraíram consumidores que poderiam trocar de carro por modelos da Jeep, Volkswagen, Hyundai e Chevrolet no terceiro trimestre de 2026. A estimativa mais expressiva envolve a Jeep: 23.993 unidades que poderiam ter sido destinadas à marca, segundo o estudo da MegaDealer.

Os números ajudam a dimensionar a disputa no mercado de usados, mas não indicam queda comprovada nas vendas das montadoras. Em setembro, o CAOA Chery Tiggo 7 também liderou o ranking de retorno sobre investimento em seminovos analisados.

Marcas chinesas nas trocas: Jeep lidera estimativa de migração

Entre julho e setembro, o estudo estimou que a migração para fabricantes chinesas correspondia a 23.993 unidades do volume potencial da Jeep, ou 46%. A Volkswagen aparece em seguida em volume, com 22.463 unidades, enquanto Hyundai e Chevrolet somam 19.003 e 18.421, respectivamente.

MarcaVolume estimadoParcela do potencial
Jeep23.99346%
Volkswagen22.46315%
Hyundai19.00330%
Chevrolet18.42118%
Marcas chinesas

Foto: Jeep/Divulgação

Os percentuais usam como referência um volume potencial calculado pela consultoria. Eles não correspondem à redução de emplacamentos em relação ao trimestre anterior nem medem a parcela de todos os clientes que abandonou cada marca.

A amostra do estudo reúne 3.471 concessionárias de 26 marcas conectadas à Auto Avaliar. A divulgação não detalha a fórmula da projeção, o número de transações desse recorte ou uma margem de erro. Por isso, os valores devem ser lidos como estimativas, não como contagem de todas as trocas do país.

Disputa entre chinesas e avanço da BYD nas trocas

O estudo também aponta que 17,4% das trocas consideradas ocorreram entre duas fabricantes chinesas. O dado indica concorrência dentro do próprio grupo, embora o levantamento não informe quais marcas receberam esses clientes nem os pares de origem e destino.

Outro recorte, voltado às trocas direcionadas à BYD, registrou mudanças entre os dois primeiros trimestres. No primeiro, Hyundai, Chevrolet e Jeep representaram 11,3%, 11,2% e 11,1% das trocas. No segundo, a Volkswagen passou à primeira posição, com 11%; Chevrolet marcou 10,9% e Hyundai, 10,4%.

Esses percentuais são de um recorte diferente do estudo da MegaDealer para o terceiro trimestre. Eles ajudam a mostrar que a origem dos clientes varia conforme a fabricante chinesa e o período analisado. A expansão das opções também aparece em lançamentos como o GWM Haval H7.

Tiggo 7 lidera rentabilidade de seminovos em setembro

Entre modelos fabricados de 2024 a 2026, o CAOA Chery Tiggo 7 teve o maior retorno sobre investimento no ranking de setembro. Seu preço médio de venda foi de R$ 122.833, com margem bruta de 10% e permanência média de 26 dias em estoque.

Posição e modeloPreço médioMargem e estoque
1º CAOA Chery Tiggo 7R$ 122.83310%; 26 dias
2º Renault KwidR$ 56.31311,7%; 33 dias
3º CAOA Chery Tiggo 5xR$ 102.7759,2%; 27 dias
4º Fiat MobiNão informado12,4%; 37 dias
5º BYD Song PlusR$ 175.1928,7%; 31 dias
Marcas chinesas

Foto: Jeep/Divulgação

O Tiggo 7 combinou margem e giro mais rápidos que o Kwid, embora o compacto tenha registrado margem bruta maior. A liderança em rentabilidade não significa valorização do carro para o proprietário: o resultado da loja considera preço de compra, venda e tempo em estoque. Margem bruta também não equivale a lucro líquido.

Fiat Strada, Fiat Argo, Hyundai HB20, Volkswagen Polo e Toyota Yaris Hatch completaram os dez primeiros. A lista divulgada não trouxe os indicadores individuais desses modelos nem o valor de retorno usado para ordenar as posições.

Preço médio dos usados recua e estoque demora mais

O tíquete médio dos usados e seminovos acompanhados caiu de R$ 88.545 em agosto para R$ 87.298 em setembro, recuo aproximado de 1,4% e menor resultado desde janeiro de 2026. A margem bruta média passou de 9,9% para 9,8%, enquanto o estoque levou 38 dias para girar, ante 37 dias no mês anterior.

Uma média menor não significa que todos os carros ficaram mais baratos: a composição dos veículos negociados também altera o indicador. Para quem pretende trocar, a comparação útil inclui preço do carro desejado, avaliação do usado e condições de pagamento. Ano, versão, quilometragem e conservação seguem determinantes para a oferta por cada exemplar.

O estudo sinaliza disputa crescente pela troca do usado, tanto entre marcas tradicionais e chinesas quanto dentro do grupo chinês. Na hora de negociar, vale conferir a proposta completa, não apenas a marca que lidera o ranking.


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