A Citroën apresentou em São Paulo o modelo que faltava para completar sua linha premium: o DS4. De cara, dá para dizer que ele é mais bonito do que o DS3 e o DS5, além de ter um porte médio que valoriza seus detalhes estéticos. O carro já está sendo vendido nas concessionárias Citroën por R$ 99.990 em quatro cores: vermelho, branco, cinza e preto. Mas é possível encontrar ágio pelo branco. Enquanto o DS3 foi pensado para o prazer ao dirigir e o DS5 foi criado para ser sofisticado, no DS4 a Citroën buscou um quê de SUV. O resultado externo foi espetacular, com um desenho primoroso. Por dentro, entretanto, o motorista saiu prejudicado.
Com inspiração nos sport-utilities, o DS4 tem uma posição de dirigir mais alta. Só que seu teto é baixo – e isso faz com que motoristas com mais de 1,80 metro tenham dificuldade para encontrar a melhor posição de dirigir. Apesar dos ajustes oferecidos no banco e no volante, uma gaveta embaixo do banco do motorista impede que o mesmo fique mais “afundado” no carro. Se a posição de dirigir não é a ideal, o quadro de instrumentos também não ajuda em nada. Que ele é bonito não há dúvidas. Entretanto, é pouco funcional. A mistura de elementos gráficos é tão grande que o motorista encontra certa dificuldade para ler a velocidade (quando no modo analógico) e também o conta-giros. A iluminação (que pode ser ajustada em tons de azul e branco) é charmosa, mas também atrapalha a vida do usuário.
Tirando esses detalhes, o carro é muito bom. Mas não dá para dizer que ele seja melhor do que o DS3 e o DS5, colocando cada um dentro de suas propostas. Quanto ao visual, é nota 10. Na frente, o Citroën DS4 tem o logotipo na grade central, o logotipo DS sobre o capô e a assinatura de LEDs em volta dos faróis de neblina (visíveis de dia ou à noite). Na lateral, a silhueta do DS4 é realçada por um friso cromado em torno dos vidros e é modelada pelas caixas de rodas salientes. O teto é alongado e o aerofólio traseiro dá um toque de esportividade. Um detalhe interessante está nas maçanetas das portas traseiras, que ficam “ocultas” no desenho.
Como tem sido moda nos carros da Citroën, o DS4 é dotado de para-brisa panorâmico, com visão de 45graus para cima. Não chega a ser exagerado como o novo C3. De qualquer forma, o carro dispõe de persianas dos dois lados caso o motorista ou o passageiro queiram reduzir o tamanho da área visível. Os cromados aparecem novamente no interior do carro – no painel de instrumentos, alavanca de câmbio e pedais, por exemplo. Já falamos que o quadro de instrumentos não nos agradou. Mas é possível que a maioria dos clientes desse automóvel adore a combinação feita com três mostradores circulares. O visor central possui velocímetro analógico e tela de LCD com várias funções (como computador de bordo e indicações do navegador). O visor da esquerda tem o conta-giros analógico (com barras digitais) e o indicador de marcha. Já o visor da direita tem o indicador de combustível analógico e o hodômetro digital. Como se vê, é muita mistura de analógico com digital.
Os freios são muito bons. Eles têm discos grandes e sistemas de controle de frenagem, como ABS (antibloqueio), REF (repartidor de frenagem) e AFU (frenagem de emergência). O carro também vem equipado com ESP (controle de estabilidade) e ASR (controle de tração). Os pneus são Michelin Pilot Sport 3 nas medidas 225/45 R18, montado em lindas rodas cromadas de liga leve. O câmbio é automático sequencial de 6 marchas e agrada tanto no modo automático como nas trocas por alavanca. Para empurrar o carro, o motor é o mesmo 1.6 turbo que equipa o DS3 e o DS5. Esse motor tem 1598 cm3 de cilindrada, 16 válvulas e 165 cavalos de potência a 6.000 rpm. O torque máximo de 24,5 kgfm está disponível a 1.400 giros e permanece constante até 4.000 rpm. Rodando com o carro a 120 km/h o conta-giros aponta apenas 2.600 rpm, o que é muito bom. Com isso, o DS4 acelera 0-100 km/h em 8s6 e atinge 212 km/h de velocidade máxima.
Em termos de prazer ao dirigir, seu irmão menor, o DS3, é muito mais empolgante. No entanto, o DS4, além da beleza exterior, tem um ótimo sistema de navegação por GPS e aplicativo MyWay com mapa do Brasil e tela colorida de 7 polegadas. São mais de 1.300 cidades mapeadas. E sua central multimídia inclui CD, MP3 e som Arkamys. Se não bastasse isso, os bancos dianteiros são massageadores. Para conveniência de quem o dirige, o DS4 também tem luzes direcionais, que mudam o facho automaticamente nas curvas, e sistema de ajuda à baliza, com avaliação do espaço disponível -- o que deve agradar muita gente.
Mais bonito do que prazeroso, o Citroën DS4 tem a meta de conquistar pelo menos 300 compradores por mês. Sua garantia é de três anos (12 anos anticorrosão) e as revisões têm preços fixos a cada 10.000 km.









